quinta-feira, 27 de julho de 2017

Retrospectiva - Grupo de Teatro 100 Limites

A experiência com o grupo 100 Limites foi muito rica. Nossa mostra de final de ano foi um sucesso.  Além disso, fizemos uma apresentação de Natal no final do ano a pedido da prefeitura municipal. Apresentamos nosso trabalho na Mostra de final de ano do Projeto FoCo e fomos muito bem sucedidos. O resultado do nosso trabalho trouxe muitos prêmios de reconhecimento ao nosso trabalho. Fomos agraciados com as indicações a Melhor Ator Coadjuvante para Wendel Fagundes, Melhor Atriz Coadjuvante para Daniela Reginaldo e Gabriela Vieira. Além disso, os prêmios de Melhor Ator para Patrique Lamperti, Melhor Atriz para Quésia Mabbitt e Melhor Espetáculo do ano. 







Retrospectiva - Grupo de Teatro

O trabalho com o texto literário foi muito bom. Ele surgiu através de sugestões dos integrantes do grupo, mas também de improvisações gravadas e reorganizadas pós ensaio e de experiências anteriores do professor. O resultado desse trabalho foi o texto A Incrível História de Messias Bolsogrande, que pode ser apreciado abaixo:


A Incrível história de Messias Bolsogrande



CENA 1:
(Entram em silêncio algumas pessoas carregando um caixão. São recebidos por um coveiro que os encaminha até a cova. Deixam o Senador. Saem de cena. Junto com o cortejo está a morte. As pessoas não enxergam a morte. A morte não sai)
MORTE: Vocês devem estar se perguntando quem é ele? Eu explico. Esse era importante, da alta sociedade, o que sinceramente para mim não faz a menor diferença. Este era Messias Bolsogrande, senador da republica. Para onde ele vai? Isso eu não sei dizer. Meu trabalho é apenas vir buscá-lo.  Não precisam me olhar desta maneira. Eis um pequeno fato. Sim. Você vai morrer, mas insisto não tenham medo de mim: Sou tudo, menos injusta. Confesso que já estou cansada. Tudo o que eu mais quero é encontrar alguém para me substituir. Quero ir a praia surfar, tomar banho de sol, bater uma bolinha. (sai)
CENA 2:
ATOR 1- Uns dizem que o céu é um lugar lindo, cheio de anjinhos tocando harpa...
ATOR 2 - Lá não tem gripe nem vento forte.
ATOR 3 - Dizem que quando a gente morre a gente vai ou pro céu ou pro inferno.
ATOR 4 - Outros dizem que a gente pode ficar no purgatório.
ATOR 5 – Uns dizem que o inferno é feito de fogo.
ATOR 6 - E não deve ser um lugar muito confiável, pois o dono do lugar é um chifrudo.
ATOR 7 - E tem quem diga que é tudo uma grande bobagem, que morreu e acabou.
ATOR 8 - Inferno é ser passado para trás...
ATOR 1 - O inferno tem nome: Messias Bolsogrande.
ATOR 2 – o Senador Bolsogrande era um golpista muito ambicioso.
ATOR 3 - Dizem que ela já nasceu aplicando um golpe no médico e levando a bolsa da enfermeira.
ATOR 4 - Ele viveu, morreu, e entre uma coisa e outra atormentou a todos.
ATOR 5 – É, mas ele morreu.
ATOR 6 – Dizem que toda a raposa um dia encontra outra mais forte.
ATOR 7 - E para onde vai o Senador Messias? Pro céu ou pro inferno? (levantam o senador)

CENA 3:
GRUGUI – Esse não tá na lista? (Procissão para, e vai à direção do anjo).
ANJO – Deus do céu! Aqui esse homem não entra! (Procissão para, e vai à direção do demônio).
DEMO – Pode vir que esse deve ser dos bons.
ANJO – Isso! Leva pra ti que é o melhor que tu faz.
GRUGUI – Pelo amor de De... Quer dizer, do senhor, não deixa esse homem entrar aí. (Procissão muda de direção).
DEMO – Por quê?
GRUGUI – Tu nem sabe o perigo que esse homem representa.
ANJO – Aqui ele não entra de jeito nenhum. Contigo ele vai se adaptar melhor. (Procissão muda de direção novamente).
DEMO – Espera! Se aquele ali teme tanto ele, e faz tanta questão que ele venha é por que tem alguma coisa errada... Pensando bem não o quero também.
ANJO – Mas ele seria ótimo para você. Eu se tivesse um inferno faria questão de ter o Senador Messias Bolsogrande.
DEMO – Pois bem, estou curioso por saber quem é esse tal Messias Bolsogrande.
GRUGUI – É pra já! Ele era um homem ambicioso e cheio de artimanhas, qualidades estas que lhe deram o título de senador da república. Bolsogrande era tão ganancioso que uma congestão alimentar o levou a morte. (Entra a Morte)
MORTE – Alguém me chamou? Muito bem Grugui. Vejo que vem evoluindo nas suas descrições. Se continuar assim será empregado na polícia federal. Mas vou logo ao assunto porque não sou de meias palavras. A partir de hoje podem encontrar alguém para me substituir. Decidi tirar férias.
DEMO - Mas isso não é possível. Você é muito bem paga por nós dois.
ANJO – Você quer um aumento é isso? Podemos providenciar.
MORTE – Até que o aumento é bem interessante, mas mesmo assim, estou decidida. Vou tirar minhas férias, depois decido o que farei. Enquanto isso, encontrem alguém para ficar no meu lugar. (sai)
DEMO – Proponho um acordo.
ANJO – Acordo com o Demo não me parece muito confiável? Mas enfim fale.
DEMO – Já que você não quer ele, e eu também não faço muita questão, vamos colocá-lo como substituto da morte.
ANJO – Como assim?
DEMO – Esse será seu castigo
ANJO – E nós resolvemos nosso problema.
DEMO – Exatamente!
ANJO – Isso me parece bem interessante. Então está feito.
DEMO – E nós, o que faremos?
GRUGUI – Proponho um joguinho de xadrez?
ANJO – Valendo o que?
Grugui – Ah, o vencedor pode escolher qual destes (aponta para o público) o Senador buscará primeiro.
ANJO - Ótima idéia...
GRUGUI - (Antes de saírem Grugui, estala o dedo, o Senador levanta. Grugui fala no seu ouvido, lhe entrega uma lista e sai). Está pronto? Bom passeio até a terra. – TRANSIÇÃO -

CENA 4:
 (Chega em uma rua movimentada de pessoas. Lê em uma lista o nome das pessoas que precisa buscar. Vem passando uma senhora.)
SENADOR - A senhora é a dona Dulce Schneider?
DULCE – Sim sou eu. E o senhor já morreu, eu li na notícia semana passada, não adianta vim querer me atormentar, pois eu não vou votar no senhor na próxima eleição. (com uma bengala bate nele e sai).
SENADOR – Mas a senhora precisa vir comigo, chegou a sua hora. (desiste. Entra um menino andando de skate cai. A morte vai socorrê-lo). E então garoto você se machucou? Não quer aproveitar a oportunidade e morrer? (menino sai correndo chamando a mãe).
Eu sou um desastre não consigo levar ninguém. Desse jeito, vou ser demitido do cargo. (Se dando conta) Tá, mas e para que eu preciso desse cargo? Minha vocação é outra. Vou roubar mais uns milhões aqui na terra. Entrarei para história como o primeiro político que passou a perna em Deus e no Diabo. Vão fazer uma estátua para mim em Brasília. Mas primeiro preciso levantar dinheiro para a campanha.

CENA 5 :
(Entra Anjo, Demônio e Grugui)
DEMO – Não vale. Você roubou.
ANJO – De jeito nenhum, apenas usei da minha intuição privilegiada.
DEMO ­– Vou querer revanche.
GRUGUI – Isso aqui está muito calmo. O nosso substituto não mandou ninguém ainda.
DEMO – Desse jeito o inferno vai virar repartição pública, existe mas não funciona.
ANJO - Pois é, eu acho que ele está nos enganando. Deve estar escondido por aí.
DEMO – Grugui! Traga já a antiga morte aqui. Diga a ela que suas férias acabaram e pronto.
GRUGUI – Isso é pra já. (Grugui busca a morte como se a estivesse laçando. A morte entra de bermudão, óculos de sol e tudo mais.)
DEMO – Acabou as férias. Precisamos urgentemente que você traga de volta teu substituto, que está um verdadeiro desastre.
ANJO – Não é possível continuar assim. O patrão lá em cima vai começar a reclamar.
MORTE – Tudo bem, mas daqui pra frente quero meus direitos trabalhistas, férias constantes, décimo terceiro, e tudo mais. Confesso que já estava ficando com saudade.
DEMO – Isso acertamos depois, anda de uma vez. Comece buscando de volta o Senador, que deve estar escondido por aí, tentando nos passar a perna. (saem).

CENA 6:
MORTE – (resmungando) Já dizia o meu bom avó. Que Deus o tenha... Quer um serviço bem feito faça você mesmo. Aquele Senador não conseguiu trazer uma viva alma sequer. Aí vem ele. Observem como age uma especialista no assunto (Retira do bolso um potinho e coloca veneno numa garrafa. Se disfarçada de mendigo. Senta.)
MORTE – Deus o proteja nobre senhor!
SENADOR – Ele deve ter protegido o senhor. Como conseguiu viver tanto?
MORTE – Minha sorte é esse vinho milagroso, que bebo todas as manhãs. Quem bebe desse vinho vive para sempre.
SENADOR – Isso não pode ser verdade, velho mentiroso.
MORTE –Tanto é que aqui estou, com meus 257 anos.
SENADOR – Sinto muito vovô, mas vou ter que confiscar esse seu vinho.
MORTE – Como assim?
SENADOR – Sou Messias Bolsocheio, senador da República, e acabo de aumentar os impostos sobre o seu vinho.
MORTE – Mas eu paguei pelo vinho. Ele é meu.
SENADOR – Você pagou a taxa antiga, mas com os novos aumentos de INSS, ISSSQN e o mais novo imposto: IPMBE (Imposto Para Meu Bem Estar), você está devendo 170% dessa mercadoria, por isso, eu, como membro do governo, tenho o dever de confiscar esse seu vinho.
MORTE – Mas isso não é justo.
SENADOR – Meu bom velhinho, nem sempre a justiça é justa, mas ela é necessária para que sejamos justos com a justiça (pegando o vinho). Irei analisar a qualidade do material, para ter certeza que o governo não está sendo enganado. (Bebe o  vinho e cai morto)
MORTE – Pronto! Mais fácil do que eu imaginava. Sabe que fico pensando, é até desrespeito as pessoas terem medo de mim. Elas deviam ter medo delas mesmas. (sai levando o Senador).

Cena 7:
(Entram Grugui, Demo e Anjo e o Senador)
GRUGUI – E para onde ele irá? Céu ou inferno?
ANJO – Não podemos negar que ele nos prestou um serviço.
DEMO – De péssima qualidade, mas prestou.
ANJO – Eu fico com ele então.
DEMO – De modo algum. Eu até agarrei um apreço por ele. Não quero que o céu tenha fama de injusto.
ANJO – Ele já teve seu castigo trabalhando para manter o sistema.
DEMO – Mas para manter o costume, tentou nos passar a perna.
GRUGUI – Acho que não precisamos iniciar essa discussão novamente deixemos que ele passe um dia com cada lugar, e então decida.
SENADOR – Por mim já está decidido. Fico no céu.
GRUGUI - Desculpe, mas temos as nossas regras. Não quebre o protocolo. Venha conosco e passe um dia no inferno. (saem)

CENA 8:
(Chega no inferno há uma festa. Todos estão dançando felizes. O Demo vem pessoalmente recebê-lo e lhe entrega um copo de champagne)
DEMO – Seja bem vindo meu rapaz. A casa é sua.
SENADOR – Obrigado! Nunca pensei que o senhor fosse assim tão saudoso.
DEMO – Muitas pessoas têm uma opinião errada a meu respeito.
SENADOR - Mas Aqueles são meus amigos. Cunha, Sarney, Michel (todos cumprimentam o Senador)
CUNHA – Messias Bolsocheio, que honra tê-lo por aqui. Sabia que viria. Saudade dos velhos tempos em que ficávamos ricos à custa do povo.
SARNEY– Você está me devendo alguns milhões? Mas está perdoado.
MICHEL – Grande Senador, fique conosco e nos divertiremos muito observando o povo que o elegeu.
SENADOR – É bom vê-los meus amigos, mas ainda não posso, tenho que passar um dia no paraíso.
CUNHA – Vê se não vai amarelar e virar ético e estas coisas, senão teremos que tirar-lhe o título de Senador.
GRUGUI – Seu tempo acabou. Teremos que subir. Não queremos que atrase sua visita ao Paraíso. (todos se despedem abanando. Sobem até o Paraíso)

CENA 9:
(Recebe os dois. Impede Grugui de entrar)
ANJO – Seja bem vindo ao paraíso meu filho. Temos um dia cheio. Iniciamos Viabilizando alguns projetos assistenciais lá da terra. Temos ainda que cuidar da Amazônia, além de auxiliar no desenvolvimento sustentável da reforma agrária. À noite assistiremos a um conserto de harpas celestes.
SENADOR – Eu nem vou tomar seu tempo. Olha, eu nunca pensei... O Paraíso parece ser muito bom, essas propostas são muito boas, mas eu acho que vou ficar melhor no Inferno.
ANJO – Tem certeza disto.
SENADOR – Absoluta.
ANJO – Então que seja feita a sua vontade. Será enviado para lá agora mesmo. (sai entra no inferno)


CENA 10:
(Percebe todos os seus amigos com roupas rasgadas tendo que trabalhar, o Demo está com um chicote ameaçando todos. Vai receber o Senador).
SENADOR – Eu não entendo o que está acontecendo. Ontem mesmo eu estive aqui e havia uma festa e meus amigos brindavam com champagne e havia música e nos divertimos o tempo todo. Agora só vejo esse fim de mundo cheio de lixo e meus amigos arrasados.
(O DEMO olha pra ele, sorri ironicamente)
DEMO – Tantos anos na política e ainda não aprendeu nada. (pega ele pelo braço) Ontem estávamos em campanha. Hoje, já conseguimos o seu voto. (Morte entra)
MORTE – (junto com os demais atores, apontando para o público) Então, qual deles eu busco agora?
BLACK OUT


Retrospectiva 2017 - Grupo de Teatro

Nas sextas-feiras, no vespertino, tínhamos o grupo 100 Limites. O grupo era formado por alunos das séries finais do ensino fundamental e alunos do ensino médio da Escola São Salvador.
Depois de um trabalho sobre os gêneros literários optamos pela literatura de cordel como mote para criação de um texto teatral pra representação. 
O cordel no qual nos inspiramos foi o do vídeo abaixo:



Retrospectiva - Oficina de Teatro

As aulas de quinta à tarde dos alunos do Tempo Integral da Escola São Salvador foram repletas de atividades lúdicas. Foram experiências de autoconhecimento envolvendo imaginação e criação através do trabalho coletivo.







Retrospectiva 2017 - Oficina de Teatro

O Projeto Teatro e Literatura retornou em 2017. Realizamos através dele oficinas de teatro para o Tempo Integral nas quintas-feiras, envolvendo alunos do 1° ao 5° ano do ensino fundamental. Foram encontros com o objetivo de proporcionar às crianças momentos de lazer e diversão através de jogos e dinâmicas teatrais. O resultado foi muito produtivo, pois a aprendizagem veio junto com muita alegria e diversão.




1° e 2° anos


3° ano

4° ano

5° ano